Uma dúvida
Sou só eu a achar absolutamente ridículo que Ségolène Royal tenha escolhido a noite eleitoral de ontem para anunciar a sua separação matrimonial, transformando-a no facto "político" da noite? Ainda por cima fazendo-o com alusões a hipotéticas infidelidades de François Hollande? ("J’ai demandé à François Hollande de quitter le domicile, de vivre son histoire sentimentale de son côté, désormais étalée dans les livres et les journaux, et je lui ai souhaité d’être heureux… On est en bons termes, on se parle, il y a du respect mutuel."). Bleurgh! Dégoutant!
Naturalmente que as "análises políticas" do facto começam a suceder-se. Uma apostinha em como não tardarão a aparecer comentários do estilo "Só é um facto político porque é mulher"? Não merecerão mais que escárnio e maldizer, espero...
P.S. - Esta mistura entre política e vida privada vem mesmo a calhar para linkar um post no Zero de Conduta (a que cheguei via Arrastão), onde Pedro Sales discorre sobre "O doce charme do voyeurismo".
Adenda 2 dias depois: mais um link para o Zero de Conduta, para um outro post do Pedro Sales, «Ségolène Endemol Royal», que me faz sentir acompanhada.
Naturalmente que as "análises políticas" do facto começam a suceder-se. Uma apostinha em como não tardarão a aparecer comentários do estilo "Só é um facto político porque é mulher"? Não merecerão mais que escárnio e maldizer, espero...
P.S. - Esta mistura entre política e vida privada vem mesmo a calhar para linkar um post no Zero de Conduta (a que cheguei via Arrastão), onde Pedro Sales discorre sobre "O doce charme do voyeurismo".
Adenda 2 dias depois: mais um link para o Zero de Conduta, para um outro post do Pedro Sales, «Ségolène Endemol Royal», que me faz sentir acompanhada.

49 Comments:
Efectivamente, só é um facto político porque ela é mulher. Mas, quanto a mim, neste sentido: só uma mulher politizaria esse facto.
Não estou a ver um homem a ligar assim, deliberadamente - quer dizer, por iniciativa própria - a sua vida privada à sua vida pública. François Hollande, que eu saiba, não o fez (mesmo que lhe caiba o papel de ter sido o infiel da história, o que em França até nem é das coisas mais antipáticas para se ser).
O gesto de Segoléne foi caracteristicamente feminino, no sentido em que um homem não acharia digno da sua masculinidade vir assim apresentar uma questão de alcova como facto político ou, pelo menos, para-político. Para uma mulher, a distinção "ao lar o que é do lar, à cidade o que é da cidade" é por vezes mais esfumada do que no espírito de um homem.
Nota, antes de me cairem em cima as (e os) "feministas" do costume:
Não estou a fazer juízos de valor. Não estou a dizer mal das mulheres e bem dos homens, nem o contrário. Não me venha ninguém com o seu exemplo pessoal ou o da prima para me desmentir. Homens e mulheres SÃO DIFERENTES, quer se queira quer não.
Et vive cette différence - seja ela qual for.
Oh dear, eu não te cairei em cima de certeza por parte das coisas q dizes. Não sei se te lembras mas durante a campanha eleitoral espumei de raiva pela utilização, a meu ver, mais q abusiva q a senhora fazia da sua "diferença" baseada na vagina. Aliás, é o mesmo tipo de coisas q me irrita profundamente em algumas das tiradas da Helena Roseta (argh! cada vez q me lembro daquela da câmara precisar de uma mulher presidente porq é uma câmara falida e as senhoras é q sabem administrar um lar com pouco dinheiro, até se me revolvem as tripas). Qto à tua última afirmação: não negando algumas diferenças, insisto q não não me parece haver uma forma feminina e outra masculina de fazer política.
shyz
(by the way, aqui para nós q ninguém nos ouve, não foram raras as vezes em q a qualifiquei de "mulherzinha" e, infelizmente, parece-me q isto só prova q estava certa.)
Continuando a correr o risco dos estereotipos:
Existe uma forma masculina e uma forma feminina de estar na vida. Logo, nas coisas que fazem parte dela, incluindo a política. Pode é não ser sempre perceptível e, evidentemente, admite excepções.
A propósito: não será a forma "dura" de algumas mulheres fazerem política (Thatcher, evidentemente, mas não só) uma tentativa (feminina, portanto) de fazer esquecer, ou de compensar, essa condição?
Atenção: não estou a negar às mulheres o direito de serem tão duras ou mais do que os homens, apenas por o serem e não por qualquer mecanismo compensatório. Só estou a perguntar.
A Lady tinha que vir ao barulho. Oh pá, não, continuo convencida q não. Há mulheres (e homens) duros, as simple as that. E tens sorte porq estou com pouco tempo ou essa tua escolha vocabular, das "compensações", daria pano para uma fébrica de texteis.
Toda a gente compensa, logo, existe.
gira, gira foi aquela ideia fantástica de pôr polícias a acompanhar as suas colegas a casa. Tadinhas das senhoras, parece que saem tarde do trabalho e são potenciais vítimas e tal... se essas precisam de protecção, que dizer das padeiras, cozinheiras, enfermeiras e tantas outras mulheres que trabalham e se deslocam de noite???
acho que é assim tipo "o gajo pôs-me os cornos, mas ó pra mim, tão digna e calma a desejar-lhe boa sorte com a flausina"
um acrescento: não tarda vais-me querer convencer q o guterres, com a conversa do diálogo, era feminino na forma de fazer política, não?
Apesar de achar que os estereótipos neste domínio até costumam ser muito, aparentemente, simpáticos para as mulheres (a gente é q é dialogante, sensível ao sofrimento, blá blá blá), dispenso-os bem.
Quanto aos estereotipos, eu só perguntei.Não quis cair neles, apesar do risco. Mas insisto que, não há razão para as diferenças homem-mulher não se reflectirem na política como se reflectem noutros aspectos da vida. Vide Segoléne - independentemente de ser ou não um exemplo caricatural.
Agora deixo-te eu a pergunta: até q ponto é q não é caricatural quem insiste, e insiste, e insiste, mesmo q veladamente, que a sua GRANDE diferença é o facto de ser mulher?
shyz
p.s - pode parecer paradoxal q estes propósitos sejam expelidos pela minha boca, qdo defendo a existência de quotas, mas não é, garanto-te. À suivre...
enquanto não se conseguir olhar para pessoas independentemente do seu género está-se a perpetuar a discriminação.
Acho que ela fez isso porque lhe passou pela bolha, independentemente dos cromossomas e construcção cultural/social de género associada.
Porque raio estas coisas só passam com as mulheres? Porque é que não se ouviu ninguém a dizer "só disse isso porque é um homem" quando o clinton se saiu com a do fumou mas não inalou? (a querer estereotipar alguma coisa, o fugir com o rabo à seringa mais masculino não podia ser). Já para não mencionar o facto de ninguém ter achado que só mesmo um homem para gozar de uma bela sessão de sexo oral durante as horas de expediente.
só é um facto político pq ela é mulher? Não. É um facto político porque ela é política e fez uma declaração pública. Point à la ligne.
(independentemente do meu juízo de valor sobre as suas declarações)
ah, mas that's my point, ela fez isto porq é cretina, independentemente de ser ou não mulher. o elemento género só foi aqui introduzido porque não tardarão a levantar-se vozes indignadas dizendo q só acham o acto cretino porq é mulher, e foi a esse tipo de vozes q eu "dediquei" o escárnio e o maldizer. Ah! e, claro, o mouro tb. não foi alheio à discussão de género, qed!
shyz
Talvez tenham razão sobre essa diferença entre homens e mulheres. Mas no caso da Segoléne não é isso não. A senhora é mesmo meia burra e o PS francês está mesmo mal das pernas para apresentar essa figura (poderia ser um homem qualquer que era o mesmo, não há neste momento nenhum disponível que se aproveite). Aliás o problema não é exclusivamente francês mas em frança nota-se sobremaneira porque a esquerda (socialista) francesa é bem mais de esquerda que a portuguesa. E ver governos ditos socialistas a fazer politicas de direita não vai muito com o género dos votantes socialistas franceses. Conheço gente que votou branco (o método é algo diferente mas o resultado é similar) ou que dispersou por partidos de esquerda sem expressão ou que nem sequer foi votar. Dando assim a vitória ao sarko. Enfim, é uma forma (para mim muito estranha porque vão levar com este durante 5 anos) de protesto.
Terminado o ciclo eleitoral Ségolène Royal tornou pública a sua separação pessoal de François Hollande. Fê-lo com dignidade, acrescentando que não voltaria a comentar o caso.
« J’ai proposé à François de vivre sa vie sentimentale de son côté, et il l’a accepté ». Elle souhaite à présent « continuer cet itinéraire politique en femme libre assumant ses responsabilités et ayant clarifié sa situation personnelle ». « Je ne ferais rien contre lui », dit Ségolène Royal, en assurant ne lui garder « aucune rancœur ou rancune ».- conta Le Figaro.
Os comentários de Shiznogud espantam-me um pouco.
Eu não me entusiasmei com as propostas políticas de Ségolène Royal –que aliás não acompanhei com atenção. Mas como é que uma mulher que está no centro da agenda, e que quer “ continuar sozinha o seu combate”, deve fazer, para esclarecer que o homem já não vive lá em casa? Que não devem continuar a perguntar por ele? Que, nos próximos meses, não os devem convidar para o mesmo jantar? O que tem isto de ridículo? de dégoutant?
Não se vê um homem a fazer isto? Não me parece um argumento.
(A propósito, vi François Hollande com grande firmeza na TF1 a recusar dizer mais sobre o assunto.)
Não se escolhe uma noite eleitoral para fazer um anúncio destes a menos que se ache q a esfera privada deva ser invadida pela pública, e eu não acho.
Não se faz um anúncio destes como "publicidade", mesmo q encapotada, a um livro sobre o "percurso pessoal" da senhora a ser lançado amanhã.
E, não se traz, de maneira alguma, as infidelidades do marido (sejam ou não verdadeiras, estou-me nas tintas) para a praça pública.
Até podia dar razão ai Luís se ela tivesse sido interpelada, mas que eu saiba, "fez um anúncio", o q implica a escolha consciente do timming.
shyz
Shyz: Claro que é caricatural a senhora fazer isso. Precisamente. E eu não fui alheio à discussão sobre o género porque o género EXISTE. É real. E não é por tanta gente usar essa existência para desenvolver discursos "machistas", "feministas" ou simplesmente idiotas que eu o vou evitar ou ser alheio a ele. Fingir que ele não existe, dizendo "somos todos iguais, é tudo a mesma coisa e pronto", ou alegar que falar dele é ser preconceituoso, (não falo de ti, cala-te!) só serve para varrer a merda para debaixo do tapete.
Dona Ester: toda a gente faz as coisas porque lhe dá na bolha. Mas há coisas que dão mais na bolha a mulheres, e outras que dão mais na bolha a homens.
E como as mulheres são recém-chegadas a muitas coisas, como a política, nota-se mais o que elas fazem. As "coisas de homens", como "fumar e não inalar", "fugir com o rabo à seringa" e ter "uma bela sessão de sexo horal nas horas de " (Quem lha fez? Um homem??)são habituais, ninguém repara nisso...
(Ainda saio desta como um porco chauvinista. Mas, vendo bem, até nem me importa muito. Gosto de ser coisas, sei lá.)
Again: inevitavelmente a conversa sobre género vem à conversa com a ségolène porque, como soi dizer-se, ela põe-se a jeito. É o tal uso e abuso da vagina.
Eu disse para te calares, ai o caraças!
Dizer "Não se escolhe uma noite eleitoral para..." é uma parvoíce muito maior e muito mais ridícula do que todas as parvoíces que a Ségolène disse durante a campanha. Onde foi vomecê buscar tal coisa? Leu na Bobone? A Ségolène não "escolheu" porra nenhuma! Ela apenas esperou pacientemente pelo fim das eleições para desvendar (a quem não sabia já) e confirmar algo que não quis que interferisse com as ditas. Mais nada.
Sapka
O género existe é verdade, mas não é uma coisa natural imutável fechada numa caixinha em que basta por a mão em cima para se saber o que está lá dentro (como o sarraceno sugere). Muda, transforma-se e apesar de andar na boca de todos é muito difícil de compreender (provavelmente por andar na boca de todos).
Basta ver como na blogosfera é por vezes difícil distingui-lo.
ainda estou à espera dos extases, shyz, o prometido é
Não sugeri nada disso, lobotomias. Apenas "sugeri" que ele existe, e tem que ser levado em conta. Como, por exemplo, existem inegáveis diferenças (culturais, comportamentais, sociais, etc.)entre japoneses e portugueses. Quais são elas, e como se manifestam, é outra história.
Quando dizes "Homens e mulheres SÃO DIFERENTES" sugeres que existem diferenças sempre, que sempre existiram e que sempre existirão. e penso que não te estares a referir aos órgãos reprodutores, pelo discurso parece que estás antes a falar de códigos de conduta, "valores morais", enfim "cultura". Enfim parece que estás a dizer que são naturalmente diferentes o que não tem de ser forçosamente verdade.
Há uns séculos (se calhar nem tanto) "pretos e brancos também eram DIFERENTES", hoje já ninguém se atreve a dizer isso.
Não estou a dizer que o género vá forçosamente desaparecer como desapareceu a raça, estou a dizer que as diferenças entre alguns homens,as diferenças entre algumas mulheres e as proximidades entre alguns homens e algumas mulheres faz com que o género, hoje em dia, aqui em Portugal não seja propriamente a linha divisória da sociedade. A meu ver começa a ser uma categoria que por si exprime pouco.
Agora eu é que vou levar porrada d@s feminist@s de serviço...
sorry
Gostaram da provocação (@@@)?
Não exactamente. Os códigos morais e de conduta, a cultura, não são para aqui chamados. Estou a falar de traços de carácter, de coisas inatas, a nível psicológico. Assim como fisiologicamente há diferenças, também as há psicologicamente. O cérebro feminino é diferente do masculino.
E não percebo porque é que têm de ser forçosamente iguais.
O problema desta discussão é que acaba sempre inquinada por juízos de valor e pelos tais estereótipos. A generalidade das pessoas parece condicionada por décadas de correcção política. E acaba-se sempre a falar de "defeitos" e de "virtudes" de cada lado, quando eu estou a falar de simples características.
Quanto às linhas divisórias da sociedade, elas são várias. O género é apenas uma delas, cuja definição até se pode alterar com o tempo e a evolução da sociedade. Mas homens e mulheres serão sempre diferentes. Nascem e morrem diferentes. Deverão ser iguais, sim, nas oportunidades de viverem dignamente segundo as suas aptidões, apetências e necessidades.
Só um pequeno detalhe: Não foi Ségolène Royal quem decidiu tornar publica a separação de François Hollande na noite eleitoral, foram os jornalistas que se anteciparam. Segundo o Le Monde Ségolène Royal opôs-se. O que Ségolène tinha planeado era fazê-lo na quarta-feira, que é quando sai um livro onde, entre muitas outras coisas (suponho...), pede que deixem de se referir a Hollande como seu companheiro, porque já não o é. O que me parece a coisa mais normal nesta situação. Eles já não vivem juntos, e quer ela queira quer não os jornalistas tratam-na permanentemente como companheira de Hollande. Parece-me perfeitamente legítimo que ela queira não ser tratada dessa maneira.
zed, depois da asneirada feita (e foi asneirada, mantenho) é normal q se tente limpar a imagem. Ontem, a partir do fim do dia, comecei a ler várias versões sobre o timming escolhido, para uns seria quarta, para outros seria segunda de manhã, etcetc, e a q antecipação da comunicação se deveria a uma fuga de informação aparecida num blog (o Marianne). Gosto pouco de teorias de conspiração, mas a história da "fuga" é contada de maneira muito dispar nos vários jornais franceses, o q faz pensar q é uma história mal contada e, como li algures, "On n'annonce pas à ses vieux parents qu'on divorce le jour du baptême du petit sauf à vouloir gâché la fête et s'installer au centre des discussions. Résultat garanti.". A senhora tem toda a legitimidade de se querer instalar no centro da discussão, mas usar a sua vida privada para tal é q me perturba deveras.
Ah! porque são divertidas copio para aqui 2 reacção-tipo frequentes:
(esta até se liga bem à conversa entre o lobotomias e o mouro)"
Emoi dans les studios de France 2, dimanche soir, pendant l'habituelle messe de la soirée électorale : une dépêche relayée par David Pujadas nous assène la nouvelle: le couple Hollande-Royal se sépare officiellement.
Stupéfaction sur le plateau, Fabius et Mélanchon sont immédiatement interrogés sur cet «événement»… Comment vous dire ? L'effet produit est absolument calamiteux. C'est comme si une petite fille pleurnicharde était venue embêter avec ses états d'âme une bande de garçons et interrompre leurs jeux virils.
Je suis sûr que Ségolène Royal n'a pas maitrisé le calendrier précis de l'annonce et qu'elle s'est trouvée obligée de devancer des révélations que d'autres s'apprêtaient à faire. Mais cette révélation a eu lieu au pire moment, détruisant toute la mythologie que la candidate et le Premier secrétaire avaient fait planer durant la campagne : un couple profondément égalitaire, dont les compétences politiques et humaines dépassaient largement le clivage habituel des rôles sexués. Un couple qui permet à la fois la liberté de chacun et une solidarité sans faille. Un couple fondé sur la fluidité des rôles et le partage des tâches. Bref, un modèle de couple auquel beaucoup rêvent aujourd'hui. Disons, un couple qui a su transcender la question de l'assignation des rôles sexués, chacun pouvant être homme, femme, amant, maîtresse, père, mère, avec souplesse et imagination.
Aujourd'hui que voit-on ? Une femme blessée qui propulse ses émotions sur le devant de la scène et qui s'apprête à publier un livre sur son ressenti. Un homme qui se tait et se refuse à tout commentaire. Bref, une compagne trompée qui chasse le compagnon fautif du domicile conjugal, comme si toute la faute lui incombait.
On a l'impression de tomber dans des stéréotypes naturalistes : les femmes ne savent pas lire les cartes routières, les hommes ne trouvent pas le beurre dans le réfrigérateur, les femmes ne savent qu'exprimer des émotions, les hommes ne savent que livrer des informations et sont par nature infidèles.
Je sais à quel point ces deux personnalités valent bien mieux que cette image d'Epinal. C'est pourtant cette image-là qui nous a été imposée dans cette soirée électorale. Dommage. Les résultats obtenus par le Parti socialiste auraient pu nous faire espérer beaucoup mieux.
• Serge Hefez •" (http://familles.blogs.liberation.fr/hefez/2007/06/emoi_dans_les_s.html )
d'abord, je ne suis pas un "courageux anonyme" mais quelqu'un qui n'arrive pas à s'enregistrer. J'ai l'impresion, à lire ces commentaires, qu'ils sont faits... par des hommes ! Et moi, qui suis une femme je ne m'y reconnais pas du tout. Je ne me fous pas de l'information donnée (même si sa publication, à ce moment-là pose question), j'y vois au contraire un fait de société contemporaine. Il est de notoriété publique que Ségolène Royale avait une ambition politique, (on sait qu'elle aurait voulu se présenter en 95), et cette ambition personnelle a été constamment réfrénée par son "statut" de compagne d'un homme politique important. Elle s'est effacée, ne critiquant jamais Hollande, se taisant dans tous les congrès, bref, une bonne petite épouse loyale comme les hommes les aiment. Cela aurait pu durer longtemps, toujours peut-être si... nous n'étions pas au 21ème siècle où les femmes commencent à en avoir ras le bol du sacrifice. Les femmes osent divorcer, mettre à la porte le compagnon qui s'est octroyé une deuxième vie (Ségolène n'est ni Danièle, ni Bernadette... autre époque); elle joue sa carte, que cela plaise ou non aux éléphants. Je me demande si cela ne servira pas d'exemple à d'autres femmes qui cesseront de sacrifier leur carrière pour des hommes qui les laisseront tomber quand la cinquantaine venue, ils auront un "accès de jeunesse". (ce n'est pas mon cas, je ne parle pas par vengeance, mais enseignante en retraite, je me suis souvent inquiétée pour les jeunes filles qui envisagent leur avenir à l'ombre de "leur homme) Dernière remarque : j'ai entendu beaucoup de nom féminins dans les tombeurs de hiérarques UMP: Juppé, Klarsfeld, Carignon etc... mais je n'ai trouvé nulle part l'information : combien de femmes élues cette fois-ci ? N'ont-elles pas fait de jolies performances alors qu'à priori, leurs circonscriptions n'étaient pas données ? Je signe : Michèle, enseignante en retraite
um de entre vários comentários aqui:
http://rue89.com/2007/06/17/royal-hollande-la-separation-officielle
shyz
lobotomias, esta feminista aqui, que só chegou agora a este serviço (ninguém faz nenhum, é o que é), não só não te dará porrada como subscreve o que dizes.
...vou começar a fazer isto, espero um bocado e depois escuso de me explicar, escolho uma das posições já expostas.
Porrada de mim tb não leva. Não estou a dizer, desde o início da discussão com o mouro, q não só não reconheço a existência de uma forma feminina diferente da masculina de fazer política como, e essencialmente, me irrita, de sobremaneira, quem usa como trunfo, como marcador de diferença, o ser mulher?
shyz
Os homens mijam de pé, concentrados no alvo. As mulheres, sentadas, olhando em volta. Só isso chegaria para lhes dar diferentes visões do mundo.
Ainda não tinha tido tempo de cá vir. Estou com a shyza. (nem termino com ponto de exclamação, nem nada, só para lhe demonstrar o quanto partilho das opiniões dela, neste caso)
Quê, mouro, nunca mijaste sentado? Nunca viste uma mulher a mijar de pé? E essa dos gajos estarem concentrados no alvo, ele tem dias, outros há que a pingaria nos bordos da sanita é mais que muita.
Até já o fiz deitado, e em posições que nem te passa, minha. Mas desmente-me lá, vá. A mija contribui ou não para a weltanschauung? Claro que contribui. Ou reflecte. Ou... sei lá, vou mas é dar uma.
(Eu tentei, juro, mas não resisto: a pingaria nas bordas da sanita... Como estereótipo também não está mal)
AGORA tocaram no ponto, na injustiça mais injusta de todas, aquilo que me torna uma feminista, porque, depois disto, é bom que não sejamos discriminadas em mais nada. Humpf!
eheheh, eu sabia que ia funcionar. Cá vai mais uma ajudinha, ó mouro: "tão previsível, tadinho, é gajo."
Assisti à "soirée electoral" na televisão francesa e a questão da separação do casal Royal-Hollande foi perfeitamente marginal. Em França, valha-nos ao menos isso, respeita-se mais a vida privada do que em qualquer outro lado que eu conheça. Mesmo perante a insistência dos jornalistas os convidados, de esquerda e de direita, escusaram-se sistematicamente a comentar a separação alegando ser do domínio privado. Se a intenção era ser o centro das atenções então falhou.
Independentemente de todas as conjecturas que possamos fazer de quando é que estava previsto fazer os anúncio, o facto é que a notícia não partiu de Ségolène, partiu da France Press (ou da Reuters, já não me lembro). Ségolène Royal viu-se apenas obrigada a gerir o facto consumado.
Durante toda a campanha para as presidenciais e para as legislativas os problemas conjugais do casal Royal-Hollande nunca foram um factor político, nunca sequer vieram a público. Ségolène Royal esperou que as eleições passassem para tomar uma atitude pública, não vejo como poderia ter feito mais para separar a vida privada da política. E ainda a vêm criticar...
Agora que não há eleições no horizonte breve, é apenas legítimo que Ségolène Royal torne pública a separação. Não esqueçamos que desde que Ségolène se lançou na campanha de todos os lados vem sempre o reparo, nas mais diferentes formas, que ela é a companheira de Hollande. Não passa um dia sem que se justifique tudo e mais um par de botas do que se passa no PSF (e arredores) com a relação de Royal e Hollande. Ele é o casal Royal-Hollande para aqui, o casal Hollande-Royal para acolá... Sendo que eles até já estão separados, Royal tem todo o direito de se querer livrar desse peso. O que é lamentável é que esse peso estivesse lá para começar, estando eles juntos ou não.
Claro, me. E ninguém me convence que o papel higiénico não nasce já nos suportes, e tem que se pôr lá.
Como assim, não nasce nos suportes?
Suportes de papel higiénico?
SIM! (Tem que se lhes explicar sempre tudo...)
Porra, eu gastar o meu latim com um comentário super-longo e muito sério, e esta malta a falar de papel higiénico...
(-suspiro-)
...vou dormir. Boa noite!
Ó zed, são um caso perdido, eu sei.
Esperando que tenhas dormido bem, mais uma acha para a fogueira. Claro que é absolutamente legítimo que Ségolène assuma a separação, o que critiquei foi o timming e a forma de o fazer. Ao ler-te quase ficamos com a sensação que a vida privada da senhora estava no centro da cena política "malgré elle", ora nada mais errado. Já no início dos anos 90, altura em q acompanhei mais de perto a vida noticiosa francesa, ela era mestre em usar os seus "trunfos" e fazia gala em mostrá-los: a então ministra do ambiente fartava-se de se mostrar a ela, à prole ao ao marido em revistas cor-de-rosa, transpirando "beleza" e felicidade". Já agora, e porque não sei se deste por isso, no Zero De Conduta, o Pedro Sales tb. escreve sobre o tema.
ah! como contraponto a este tipo de atitude podemos observar outra socialista, a Martine Aubry. A sua relação pessoal com, e transporto-me de novo até à década de 90, o então Presidente da Comissão Europeia não se adivinhava. Só aparecia o "filha de Jacques Delors" quando algum jornal ou tv tinha q apresentar uma biografia oficial.
zed, eu tenho pouco para dizer desta personagem, passada que foi a oportunidade dla demonstrar (outra vez) que não muda absolutamente nada ter uma mulher no poder.
Estive a reflectir e, afinal, vou mudar de opinião nessa coisa das gajas e dos gajos. Já pensaram na quantidade de informação presente naquela perninha do X que o amputado Y não tem?
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