Quarta-feira, Agosto 08, 2007

What else is new?

Muitos têm uma enorme dificuldade em reconhecer o óbvio, ou seja, que a sexualidade adolescente existe (oh se existe). As consequências de tal "postulado" já foram debatidas por aqui vezes suficientes, berdá? Se se fala de homossexualidade adolescente então, ui, cai o carmo e a trindade e entramos no domínio do tabu absoluto. Anda por alguns blogs uma discussão, originada por um post no Insurgente, a propósito da participação de adolescentes na Parada Gay de Amesterdão. Como mãe de duas criaturas que estão nos limites extremos das idades consideradas (11 e 16 anos) o que faria se algum deles quisesse participar numa manifestação do mesmo estilo? No que respeita à de 16 anos não faria rigorosamente nada porque não tenho nada a ver com a maneira como ela exerce a sua cidadania. Imaginemos, então, que era o louro que decidia que fazia todo o sentido para ele participar num evento semelhante. E há dois tipos de motivos que poderiam justificar essa vontade: ou porque lhe parecia importante estar ao lado de um grupo que considerasse que era marginalizado socialmente (e sim, há crianças de 11 anos que conseguem identificar injustiças) e aí estou como o Ludwig Krippal, acho que ficaria orgulhosa pela manifestação de civismo demonstrada pelo puto; o outro motivo possível seria, naturalmente, ele achar que aquela era uma luta dele (são raros os miúdos de 11 anos que se consideram homossexuais mas existem. E essa rarefacção tem ou não muito a ver com o banho cultural onde estão imersos?), neste caso não tinha nada que ficar ou não ficar orgulhosa porque a sexualidade dos meus filhos não me diz respeito (já a educação para a sexualidade é outra conversa). Quer num caso quer noutro o meu papel como educadora seria acompanhá-lo, ponto. Quem me conhece pode obstar a esta conversa usando um exemplo recente e chamar a atenção para a minha postura numa recente campanha eleitoral em que me recusei levá-lo a qualquer evento. Estou, muito concretamente, a falar do Referendo do Aborto. É um facto, ela participou no que quis, ele não. Mas os meus motivos são simples: andar com um puto com ar de puto a tiracolo, naquele contexto, teria sido usá-lo como "estandarte" da minha maternidade, ou seja, era eu que o instrumentalizaria, o que faz toda a diferença.

adenda: cela va sans dire, espero eu, mas é capaz de ser melhor deixar bem claro que tudo o que acabei de dizer se aplica a adolescentes (ou pré) e não a crianças. Para mim é claro que existe uma diferença enorme na forma de me relacionar com uns e com outros. Ah! e também é capaz de valer a pena realçar que me parece que quando se fala em 11 anos (veja-se o segundo link do texto) se está a falar num fenómeno muito, muito marginal porque raríssimo.

14 Comments:

Blogger dr maybe said...

A shyznogud disse tudo o que eu queria ter dito, mas não é como pregar ao ceguinho?
Há só uma coisa que ainda me faz confusão, e arriscando-me a ser apelidado de pedófilo (tb só faço este comment aqui...), a sexualidade das crianças está mesmo latente? Não são elas confrontadas com questões sexuais no dia-a-dia?

12:58 PM  
Blogger me said...

Estou, como sabes e seria de esperar, contigo. Por outro lado, ao passar os olhos nos comentários do referido post lembro-me de ter pensado que alguns dos adolescentes presentes poderiam estar a acompanhar os progenitores homossexuais, como acto familiar e/ou de solidariedade.

1:01 PM  
Blogger me said...

Mais que latente, Dr Maybe, existe e está presente.

1:02 PM  
Blogger dr maybe said...

pois, é onde eu queria chegar, mas agora ando com medo de dizer coisas.

1:07 PM  
Blogger me said...

Porquê? Não tenha, faz mal à saúde.

1:39 PM  
Blogger Carlos Guimarães Pinto said...

Se reparar na fonte do primeiro post no Insurgente, nada era dito sobre a forma como decorreu a participação dos adolescentes. Pergunto-lhe qual seria a sua reacção se os adolescentes tivessem estado naquela manifestação com os mesmos comportamentos e a mesma roupa que os participantes nos restantes barcos.
Grave parece-me usar crianças e pessoas com deficiência para marcar uma posição política. Aqui parece que partilha da minha opinião, uma vez que também não quis usar uma criança para chamar a atenção num referendo do aborto.
Note-se que se assumirmos que a única diferença entre hetero e homossexuais é a sua sexualidade (o que penso ser consensual), então as demonstrações de orgulho gay têm apenas cariz sexual. Usar crianças num contexto desses parece-me imoral. Mais ainda se uma demonstração dessas for patrocinada por entidades públicas.

2:17 PM  
Anonymous Anónimo said...

"qual seria a sua reacção se os adolescentes tivessem estado naquela manifestação com os mesmos comportamentos e a mesma roupa que os participantes nos restantes barcos.", ora bem, penso q terá ficado implícito no q escrevi q considero q um adolescente de 14/15 anos tem, na minha opinião, todo o direito de se manifestar nos "preparos" q quiser porque me parece que, apesar das sistemáticas tentativas de os infantilizarem/imbecilizarem, já são mais que capazes de pensar pela sua cabeça. Parece-me que faz pouco sentido falar de mais novos q isto porq fica claro, em tudo o q tenho lido, q se tratavam de excepções (hipoteticamente até podemos considerar q seriam especialmente maduros para a idade, logo o respeito q lhes é devido é o mesmo q aos mais velhos). Prometo q com mais tempo vou ver de q tipo de deficiência me fala, porq deficiências há muitos e é preciso saber com exactidão do q se trata para emitir uma opinião.

shyz

2:30 PM  
Blogger dr maybe said...

Agora é o Carlos G. Pinto que está a ser incoerente. Se aceita e está de acordo com uniões homosexuais, ainda que não o casamento, com a adopção por casais ou indivíduos homosexuais, que são manifestações públicas implícitas de uma certa sexualidade não estou a ver porque é contra a ida de crianças ou adolescentes a uma parada gay.
A própria festa do casamento é uma celebração de sexualidade, a maioria das vezes...

3:14 PM  
Blogger rb said...

Não sou contra a homossexualidade, cada um deve saber de si. O que não percebo é qual é o interesse destas "paradas-gay"? Se os homossexuais são pessoas perfeitamente normais, e eu acho que são, porque é que eles sentem necessidade de exaltar essa sua qualidade?
Se fosse com os meus filhos, tentaria-os convencer a não irem dizendo-lhes que não é com estas fantochadas que se luta por direitos iguais.

4:17 PM  
Blogger Mazinha said...

O teu post é excelente, como sempre...
Lembro-me perfeitamente de partilhar com um primo uma paixoneta por um vizinho. Aliás, gay mais gay não haveria por perto, aos 5 anos chorava desalmadamente por n poder usar ganchos de cabelo como eu. ( logo eu, que mal apanhava uma tesoura cortava o cabelo curto...)
Não surpreendeu ninguém da família ao assumir a sua homossexualidade. Surpresa foi mesmo quando por volta dos 18 anos resolveu ter uma namorada. Citando a minha avó "mas a rapariga não vê como ele é?"

Haverá casos em que as pessoas levem anos para se definirem. Outras, como o meu primo, nem sequer precisam ter idade de ir para a escola para se perceber o óbvio.

5:42 PM  
Blogger lobotomias said...

Carlos
" então as demonstrações de orgulho gay têm apenas cariz sexual."
Esta confusão que pretendem criar entre luta por direitos politicos- afirmações de identidades sociais com objetivos politicos- e demonstrações de cariz sexual é algo debiloide, não, Carlos?
Não me diga que acredita verdadeiramente nisso?!
O dito -orgulho- é a afirmação de uma identidade social, tendo em vista legitimação publica das relações de afecto.
Tem tanto de sexual como um casamento, não me diga que impediu as suas crianças de irem a casamentos (como bem lembrou o senhor Maybe)...

Shyz
"cela va sans dire, espero eu, mas é capaz de ser melhor deixar bem claro que tudo o que acabei de dizer se aplica a adolescentes (ou pré) e não a crianças"
Parece que entras na falácia pá!
qual é o problema de crianças participarem em manifestações politicas?
Se os pais participam e elas querem ver como é?
Qual é o problema?
Não participam naturalmente em muitos outros actos politicos publicos, desde os batizados às missas.
Penso que devemos ter cuidado em não as usarmos como simbolo politico mas temos que andar assim a proteger as nossas crianças de tudo?

lobotomias

8:36 PM  
Blogger me said...

"The second novelty at the parade was a boat carrying mentally disabled homosexuals."

Já pedi a uma amiga minha que vive em Amesterdão para me elucidar, muito provavelmente esteve presente (por questões de cidadania e porque é lésbica). De qualquer modo, cuidado com a tradução de "mentally disable".

10:20 AM  
Blogger Shyznogud said...

Lobotomias perguntas "qual é o problema de crianças participarem em manifestações politicas?", nenhum (com excepções, cfr a minha conversa sobre o referendo), mas não é de participações promovidas pelos pais de q se fala mas sim de iniciativa dos próprios adolescentes. Ora, vais-me desculpar, mas os "quereres" infantis não têm a mesma fundamentação, logo, não me merecem o mesmo respeito q os "quereres" adolescentes.

11:11 AM  
Blogger Igor said...

Shyz, os meus parabéns a ti, ao Tiago Mendes e a outros que têm respondido aos insurgentes. Prestam um verdadeiro serviço público. Eu confesso que perdi a paciência.

Se tivesse que pôr uma etiqueta para catalogar O Insurgente, seria "LGBT". De facto, creio que é o tema favorito de conversa deles.

4:24 PM  

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