Conversas de clitóris
Não consigo deixar de achar estranho, e até preocupante, que alguém como o Henrique Raposo, que costuma ter alguma preocupação com o rigor nos seus textos, escreva, não um mas dois, posts em que estabelece uma relação directa entre a excisão feminina e o Islão. Não é possível negar que é em países onde o Islão predomina que se praticam a maioria dos casos de mutilação sexual feminina, mas é impossível não atender à geografia. Como explicará, Henrique Raposo, a excisão praticada pelos judeus etíopes (falachas), por exemplo. Contaminação "religiosa"? Hum, tenho dúvidas. Não se encontrará a explicação antes nos costumes ancestrais da região, muito anteriores à islamização? São estes pequenos fechar de olhos à realidade que me fazem ficar preocupada quando leio textos como os que linkei... parece-me que a conversa da guerra das civilizações está mesmo a vingar quando se ignoram coisas destas "Ce qui semble certain est que cette pratique , qui a résisté à l'épreuve du temps, n'est liée à aucune religion particulière . Elle aurait été inventée par les pharaons qui la pratiquaient pour préserver la chasteté de leurs épouses quand ils partaient en guerre. Elle aurait existé chez les Phéniciens , les Hittites, les Éthiopiens , les ethnies païennes des zones tropicales d'Afrique et des Philippines, les Incas du Mexique , des ethnies d'Amazonie et d'Australie . Chez certains peuples , on croit que les êtres humains naissent naturellement bisexuels . Le prépuce doit être enlevé à l'homme pour lui donner sa masculinité ; on doit soustraire à la femme son organe viril , le clitoris, afin d'assurer sa pleine féminité [ Voir Samuel, op. cit., (supra, note 14), p. 45. Consulter aussi le site www.cam.org/~rqasf/sp07_02.html.]. Elle aurait été même pratiquée en Europe au XIXe siècle par des médecins pour traiter certains troubles mentaux chez les femmes.". A que se poderia acrescentar os casos mais recentes, e menos referidos, da excisão por questões estéticas, que são mais praticados do que se pensa em países como os Estados Unidos, quando uma menina tem o "azar" de nascer com o clitóris um bocadito maior do que é norma. A justificação para a prática, nestes casos, é de que se faz uma ablação parcial (o facto de conduzir frequentemente, anos mais tarde, e de acordo com testemunhos de mulheres a quem foi feita, a uma incapacidade de obter prazer parece ser irrelevante) que ajuda a que a menina não questione a sua sexualidade e viva bem com o corpo que tem. Ora abóbora...Ah! e por aqui não há contemplações quando o assunto é excisão, como aliás, nunca há quando as práticas são impostas a crianças (se fosse uma mulher adulta a querer, repito, querer ser excisada, já era outra conversa).
Para descomprimir vou roubar ali um clip a propósito de "piriquitudas".
Para descomprimir vou roubar ali um clip a propósito de "piriquitudas".

3 Comments:
Que esperar de um tipo que considera Gavin Menziès um "historiador", que ignorava que a sua (pseudo)obra estava traduzida em Português e que posteriormente até recomendou a sua compra? Que percebesse alguma coisa de Islão para além dos chavões do costume? bah! Cada jornal tem a sua Margarida Rebelo Pinto, num blog "Atlântico" até é natural que metam água.
todos nós temos dias infelizes e a apologia do Gavin Menziés até pode ser, remotamente, compreendida. Há livros que, de tão mirabolantes, se tornam atractivos para "não iniciados", ainda para mais quando o romance histórico está na moda ;-). Lembras-te de um, muuuito antigo, ai, como era? "Serão os Deuses astronautas" ou semelhante (tinha uma capa preta dura)... fez um ganda sucesso, se bem me lembro.
"Eram os Deusas Astronautas?", do Erich von Danniken? Livro e filme de sucesso, completamente disparatado. Quanto maior o delírio, maior o sucesso.
Mas voltando ao Menziès: quando não se pesca nada do assunto, nao se manda bitaites, e muito menos se recomenda leituras. Mas em Portugal todos somos experts. Basta aparecer na televisão ou ter uma coluna num periódico "in".
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