Quinta-feira, Fevereiro 07, 2008

Say Hello, Wave Goodbye


Vou fazer as malas que estamos de partida do Blogger. Despeço-me sem discursos, tanto mais que, como mostra a Shyz abaixo, já devíamos estar na calha para sermos atirados à sarjeta, mesmo.
E assim fenece esta farsa.
We'll be back, num charco perto de si (carregar na imagem).

Duas sugestões

Alguém conhece o vinho ideal para a Quarta-Feira de Cinzas? Ontem vi uma reportagem televisiva sobre a tradição festiva local que me deixou orgulhoso de ser português. Em duas linhas, é um "almoço de grelos" só para homens, que depois bebem até cair, tarde fora, entretendo-se a atirar grandes cântaros de barro uns aos outros. Quem deixa cair, paga a rodada seguinte. Horas depois estão todos bêbados. As mulheres assistem ao longe, entre o divertido e o envergonhado. Que pitoresco, deviam fazer daquilo atracção turística para os ingleses atirarem moedas e amendoins aos very typical machos lusos. Para 2009, recomendo "Rica Pinga", versão pacote de 5 litros (aguarda-se o modelo bidão de 50 l).
Mas o Entrudo já passou. Agora aproxima-se aquela maravilhosa efeméride do S. Valentim, tão interessante e variada, tão rica e diversificada, de tão profundas raízes e tradições nacionais e, sobretudo, tão propícia ao bom-gosto. Uma vez mais, os nossos empresários vitivinícolas estão atentos a mais um nicho de mercado e, depois do "sexy", acabam de lançar esta preciosidade. Se calhar, já toda a gente conhecia. Eu, não. Mas que fiquei encantado, fiquei. Se for um vinho de excelência, causará engulhos, decerto. Um enófilo mais entusiasmado poderá dedicar o vocativo à própria garrafa e a não à destinatária original. Mas fica a sugestão.

Antes que alguém me apanhe fora da cama


A avaliar pelo que acabei de descobrir ao aceder ao E Deus Criou a Mulher (imagem acima) em boa hora decidimos abandonar o blogspot (será hoje ou amanhã, não sei bem, depois algum de nós dará a notícia).

Vem a propósito

Hoje vou confessar uma coisa. Tenho uma pancada por berces, canções de embalar. Quem julgava que era por bonecas japonesas e zenra wadaiko, deve estar muito decepcionado. Mas a vida tem destas coisas. Porém, haverá quem já esteja a congeminar pedofilias nisto. Cada um vê aquilo que quer.
Tenho uma pequena colecção de berces. Há-as de todas as nacionalidades e em todas as línguas. Um dia destes desato a espetar aqui as minhas favoritas. Hoje deixo aqui uma, que tinha ficado pendurada em conversa há algum tempo. É para a Shyznogud. Não é criança, mas bem que merece ser aparicada, especialmente por estes dias. Como as crianças.

Quarta-feira, Fevereiro 06, 2008

Se Hillary ganhar em Novembro...



... isso irá significar a alternância - senão o condomínio - de duas famílias na presidência dos EUA durante pelo menos 25 anos, um quarto de século. Ou mais de trinta, se incluirmos o tirocínio do pai Bush como vice-Presidente de Reagan. Isto, para além de curioso, é capaz de querer dizer alguma coisa.

Apologia dos fármacos

Os meus heróis são o Nolotil, o Seractil e o Valium! Apesar de ainda não me terem libertado do estatuto de aleijadinha já me permitem oscilar o pescoço por mais de 0,1 mm sem ganir, o que é um progresso considerável em relação ao dia de ontem (esta inovação de postar via tlm é baril, permite-me alhear-me, por momentos, do lindo cenário que me tem dominado, uma aborrecida parede branca).

Segunda-feira, Fevereiro 04, 2008

Da juventude

Hoje vi um destes cartazes em Lisboa. Um puto com cara de estúpido agarrado a duas febras. Dirão os cínicos que é o mesmo que dizer que uma gaja vale metade de um tipo. Mas é um erro. As gajas têm que ser sempre duas para um, gajo que é gajo não se contenta por menos. Ou seja, não são elas que valem metade, mesmo que tenham ar de quem já menstrua duas vezes por mês, eles é que valem o dobro, ainda que não tenham cheiro a sovaco que se preze. Estamos entendidos?
Ao chegar a casa, confirmei que não era apenas um desvario de outdoor. É mesmo verdade, como se pode confirmar aqui. As pitas continuam com ar de frangas matulonas, e o man a precisar de uma pilosidade mais fértil. Pelo menos, para aguentar com aquelas duas. Mas o que me impressionou mais nem foram as imagens. Foram mesmo as palavras de ordem. Gostava de saber quais são as escolas de 1º Ciclo com alunos destes. Devem ser uns burros que não aguentam com a tabuada. E quais serão as creches com pitinhas destas. Será uma homenagem ao insucesso escolar?

Desvantagens da pirataria

De tempos a tempos há que organizar o caos (não parece mas dentro da caixa estão algumas centenas de CDs... aiiii).

Adenda ao Blog Review de hoje

Há um A.C. e um D.C.

Sendo, claro, o A.C. Antes de Carla, na altura em que - lembram-se? - o senhor achava que a defesa da sua privacidade era ponto assente (e eu até concordo com ele):


Com o advento do D.C. perguntas de jornalistas sobre a sua vida sentimental já não o enervam, antes lhe provocam sorrisos e divagações metafísicas sobre o amor, a hipocrisia(dos outros) e a mentira (dos outros). Como dizia o poeta, "mudam-se os tempos muda-se a vontade".Aaah! e claro, como o senhor afirma agora, ele não quer instrumentalizar nada:

Blog Review

"No El País, Ratzinger defende que a fecundação in vitro é contrária à dignidade humana, porque contra natura. Em matéria de heterodoxias, a única coisa que o Papa tolera é mesmo uma concepção sem queca."

n'O Número Primo

Aviso importante: esta semana estou em mood mais "jacobina" do que habitualmente (ou seja bué jacobina). Não se espantem se entrar em regime monotemático... isto, claro, com um afolheamentozito temático pelo meio, porque todos sabemos que - usando uma analogia óbvia - a monocultura potencia o esgotamento dos solos.

Domingo, Fevereiro 03, 2008

Não é todos os dias que se recebe um convite do mafarrico

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Pelo Sassá mas também pelo Toni e o Ari.


Quando, domingo passado, escrevi aqui um post que falava de um acidente de viação que tinha provocado a morte de um puto estava muito longe de imaginar que, horas depis, iria receber um telefonema da minha irmã a dizer-me "O João[nosso irmão mais novo] ligou-me. O Sassá e o Ari tiveram um acidente. O Sassá está em estado grave e foi transferido para Sta Maria. Vou passar no hospital para ver o que se passa". A preocupação imediata foi logo transformada em angústia porque assim que ela lá chegou percebeu-se que "estado grave" era um eufemismo para descrever o que realmente se passava. Umas horas depois a puta da notícia, o Sassá tinha morrido, apesar de ainda não estar oficialmente morto. Começou uma espera terrível para todos os que se iam revezando no hospital, apoiando como podiam o Toni (como é que se apoia um pai nestes casos? impossível!) e o Ari, o irmãozinho mais velho, que, apesar de não estar em estado grave, também estava internado. Houve também a necessidade de se ser confrontado com a macabra, mas inevitável, conversa sobre doação de órgãos, característica deste tipo de mortes violentas. Choque e tristeza profunda são palavras que não chegam para descrever o que foi esta semana para muita gente que, ainda por cima, tinha que lidar com crianças. Como é que se diz ao Ari que o irmão morreu? Como é que se diz ao Guigas que o amigo dele morreu? Bolas! têm 7, 8, 9 anos, não têm idade para perder um irmão, um amigo...
Cá por casa e pela da minha irmã tínhamos os nossos pequeno e grandes adolescentes com insónias, a desfazerem-se em lágrimas no meio das aulas, a tentarem encontrar forma de conseguir aceitar tudo isto e preocupadíssimos com o Ari e com os primos.
Apesar de não ser a primeira vez que trago para aqui acontecimentos do meu quotidiano, sempre que o fiz foi para falar de indignações ou então de episódios caricatos ou pitorescos. Porquê, então, falar hoje do Sassá e da sua estúpida morte? Porque sei que há gente que passa por aqui e que muito provavelmente já se cruzou uma ou outra vez com o Toni , ou mesmo com o Sassá, no Andanças ou noutra qualquer iniciativa ligada à PédeXumbo. Para esses pode interessar o recado do Paulo Pereira (dos Uxukalhus e do Blogue Social Português) porque a esta tragédia imensa junta-se algo de mais prosaico. O Toni é bailarino e, inevitavelmente, não teve condições para se manter numa série de projectos que são a sua única fonte de rendimentos:

Solidariedade

Depois do trágico acidente que roubou a vida do Sassá, resolvemos todos contribuir, e assim pagar as despesas do funeral; o que sobrar permitirá ao Toni e ao Ari ter algum tempo para fazer luto pelo filho e irmão que perderam de forma tão brutal.

Ao procurar links para este post encontrei este pequeno filme com alguns meses. O bandinho dos 5 (os 2 irmãos e os meus 3 diabretes de sobrinhos) completo, como ainda devia estar...

Estou-me a divertir imenso...

... com os exercícios de história virtual que hoje atravessam alguma blogosfera. Em família costumamos usar uma frase que se adequa "se a minha avó tivesse pila era o meu avô". Há "ses" que não fazem sentido nenhum
Já que estou a falar de exercícios divertidos com o passado aproveito e volto a recomendar os feitos com o futuro. O Paleo Future continua a ser um blog onde se perde tempo de forma muitíssimo agradável.

A minha dúvida é...

... mas que porra é uma família formalmente constituída? Há tanto sociólogo por aí, há-de haver pelo menos um que me instrua sobre esta "categoria sociológica".

P.S. - não podes contribuir para o aumento da natalidade? Homessa, estou a ver que precisamos voltar a falar sobre "the facts of life". Mas, por favor, depois da explicação não te entusiasmes, siiiim?


adenda: ao ler os comentários à notícia do Público que deu origem ao post linkei acima dei logo de caras com um* que me fez lembrar o que o Miguel Vale de Almeida escreveu ontem e começa a falar de famílias e termina em homofobia. Ide ler a "Orientação Moral", é tão ilustrativo.

*Já agora é este o comentário "Partido Socialista ataca familias. Os casados e com filhos são raça a extinguir. É a estratégia Europeia dar cabo da familia. Porque a familia luta pelos seus. Os que dão pinadas nas casas uns dos outros MAS NÃO QUEREM COMPROMISSOS NEM RESPONSABILIDADES - querido, a mala está à porta hoje é o Zé que faz o furo - são o futuro. Dividir para Reinar. Deve ter sido algum Socialista Sociólogo eminente o autor destas patranhas. Deixam a Paneleiragem casar e adoptar criançinhas têm todo o direito. Assim o "comer" e o dar a comer criançinhas, já não é crime. Melhor que punir é legalizar. Estou em crer, que ainda haverá desfecho no caso "Casa Pia". Sentença : A culpa é das criançinhas papadas. HAJA ALGUÉM QUE PONHA ORDEM NESTA PALHAÇADA.HAJA ALGUÉM QUE DESPACHE ESTES IMBECIS"


video

De repente apetece-me repescar um clip que já tinha mostrado, há uns meses, quando declarei que sabia bem, para variar, encontrar desdramatizações (e, devo agora acrescentar, "desdiabolizações") das famílias monoparentais.

Blog Review

Bom senso e falta dele

Que o desporto faz mal à saúde é algo em que sempre acreditei. Ver a praticante de vólei cá de casa de joelho rebentado e de muletas só serve para confirmar. Isto interessa muito pouco para o que se segue por isso adiantemos caminho. Como se percebeu tenho a filha lesionada há para aí um mês e a situação vai-se arrastar por bastante mais tempo, motivo pelo qual está impedida de fazer exercício físico, incluindo o realizado nas aulas de Educação Física. Havia que pensar em alternativas porque a disciplina é obrigatória e conta para a média de entrada na faculdade. Não foi difícil, entre ser árbitro nos jogos colectivos que decorrem nas aulas e alguns trabalhos teóricos, a rapariga tem trabalho qb. que permite ultrapassar a situação.
Em conversa com uma prima, que por acaso é médica, ouvi a mesma história em versão negativo e para pior. Para pior porque se a júnior está como está porque escolheu praticar uma modalidade desportiva, o jovem doente da minha prima está impedido de praticar exercícios físicos na aula devido a uma doença reumática grave (atestada por relatórios médicos). A professora do puto resolveu que também ele substituiria o exercício físico por trabalhos teóricos mas avisou-o logo que a nota máxima a atribuir-lhe seria um 11. Ao contrário do que acontece com a minha situação doméstica esta não é passageira. Aquele miúdo, que agora anda no 10º ano, não vai voltar a poder ter aulas de Ed. Física como os outros. Muito bom aluno, com ambições de ingressar num curso que exige notas altas, vê os seus projectos postos em causa por uma absoluta falta de senso da professora. É em alturas como estas que sou tentada a defender menos autonomias e maior dirigismo...

Quinta-feira, Janeiro 31, 2008

Rei, capitão, soldado, ladrão

As minhas refinadas e humildes desculpas pela ausência dos últimos dias. Não é que a chafarica tenha ficado em más mãos, muito pelo contrário. Mas é que dá-me sempre uma dor na alma deixar este blog, ainda que seja por pouco tempo.
Os motivos para a minha abstinência foram, contudo, perfeitamente justificados, como em seguida descrevo. Na verdade, não é todos os dias que se vê o nosso esboço a carvão nos noticiários internacionais, nas capas dos tablóides e nas parangonas dos motores de busca. Uma celebridade, a fama e a glória, não fossem alguns pormenores desagradáveis.
O primeiro é que esqueceram-se do sinal que tenho na bochecha esquerda. Do qual muito me orgulho. Quase tanto como do ar latino, norte-africano ou mediterrânico. O tal que quase me desmascarou, que porra. Se fosse branquinho, loiro e de olhos azuis, nunca dariam comigo. Mas isso seria uma impossibilidade ontológica: homens desses pura e simplesmente não raptam crianças. Nem lhes fazem mal. Nunca. Isso está reservado a homens com o meu facies.
O segundo é que me chamam de "beast" nas primeiras páginas de alguns jornais. É uma injustiça. Mas compreensível, no final de contas, porque o Algarve, o Sul da Europa, o Mediterrâneo está cheio de beasts como a do esboço, tipos de cabelo e olhos escuros. É, afinal, a terra dos beasts, onde os seres humanos (v.g. os loiros do Norte) gostam de passar férias, é uma espécie de zoo para eles. Só que desta vez tiveram azar, porque um dos macacos escapou da jaula e roubou-lhes o rebento.
O terceiro são as insinuações torpes de que eu teria molestado a criança. É mentira. É injusto. Na verdade, não sei bem o que farei com ela. Estou ainda em busca de inspiração. Noutros tempos, quando me chamavam de velho do saco, eu limitava-me a levá-las para longe. Depois, começaram a chamar-me de papão e, sim, confesso, devorava mesmo os petizes. A certa altura decidi gozar um bocado e permiti-me uma variação, ou seja, comia-as ao pequeno-almoço, numa altura em que comunista era um rótulo em voga. Agora não sei, hesito. Alguém tem uma sugestão?
Por fim, o quarto prende-se com a pouca simpatia com que fizeram o snapshot. Acordei mal-disposto naquele dia, não tinha ben-u-rons em casa e a mulher-a-dias não me lavara a roupa decentemente. Nem tinha desodorizante e fui obrigado a sair com cheiro a sovaco. O rapto foi, portanto, realizado com grande desconforto. Deviam ser mais condescendentes e favorecer-me um pouco mais no esquiço. Afinal, se concedem o benefício da dúvida aos pais da Maddie, mau-grado a PJ estar mais do que convencida da sua culpa no cartório, porque não fazer o favorzinho, insignificante, de me pentear um pouquinho mais no retrato?

Olha lá, ó mouro...

Eleições espanholas e Youtube



O canal das eleições espanholas no youtube está aqui

Caso interesse

Na casa do lado hoje resolvi falar "da democracia" e "do membro viril".

no comments :-)

video

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

Post queque

A pedido de variadíssimas famílias, e prestando um serviço público que esta espelunca também tem o dever de cumprir, aqui deixamos a receita de queques de chocolate que o mundo tanto aguarda:

- 350 g de chocolate negro (nada de ajavardar, que tem de ser do bom. Há uns com 70% de cacau).
- 150 g de açúcar fino.
- 4 ovos.
- 50 g de farinha sem fermento.
- 50g de manteiga.
- Uma pitada de sal.

Untar as formas. Derreter o chocolate em banho-maria e deixar arrefecer um pouco.
Bater a manteiga com o açúcar e acrescentar um ovo de cada vez, batendo muito bem entre cada ovo (com a batedeira. Ninguém é obrigado a trabalhos forçados).
Juntar a pitada de sal (muito pouco) e, seguidamente, envolver a farinha peneirada. (Não bater! Envolver com a colher de pau! - sim, de pau, e que se foda a ASAE).

A seguir: juntar o chocolate, envolvendo com a dita colher.
Verter para as formas e levar ao forno, que já deve estar aquecido a 200º. E deixar cozer durante 10 a 12 minutos.

Nota: devem comer-se sobre o quente, acompanhados com uma colherinha de natas pouco açucaradas, ou com gelado das mesmas - entre outras variantes igualmente pecaminosas.

Agora alambazem-se.

Ass: Junu e Mouro da Linha

A Florida continua a fazer estragos

Mudanças


Às 2 da manhã sentei-me, desanimado, olhando a sala num caos. Atrás de mim, Jorge Luís Borges discutia com o chefe dos bombeiros de Bradbury. Quase me apetecia dar razão a este e queimar todas aquelas arrobas de papel. Nunca irei reler – ou simplesmente ler – grande parte. Então porque é que me dou a este trabalho insano de os arrumar? Porque sim. Porque estão ali e quero que estejam. Porque gosto de os ver. Porque eles me falam, mesmo que nunca mais os abra.

E porque é que o trabalho é insano? Porque eu os arrumo como quem escreve uma história, ou um poema. Ali, os romances. Acolá, a História. Acoli a “queirosiana”, e pegada a ela a ficção portuguesa. Há uns metros de poesia, e uma catrefada de assuntos contemporâneos. A História subdivide-se: não vou pôr a Idade Média junto da II Guerra Mundial, nem os gregos misturados com a guerra da Secessão. Há um escaninho para as patetadas esotéricas: não vou deitar fora a colecção “negra” da Bertrand, recheada de antepassados extraterrestres e de relações entre os nazis e os Maias, com os celtas a servirem de pau para toda a obra. Sinto uma certa ternura - eu devorei aquilo em tempos, achando que se não era vero, era bene trovato. Depois há a FC toda e a estimabilíssima Argonauta com cerca de três metros. Depois há a arte e a música, que aqui e ali se interpenetram
Parece fácil. Mas, e aqueles que não se sabe bem onde pertencem? Onde vou pôr Julius Evola? Ao pé de Hitler, de Platão ou dos esotéricos? Às tantas ele aparece misturado com a malta de esquerda. Se muita gente soubesse ao lado de quem a coloco, dava-lhe uma coisinha má. E logo ali começa a história das religiões – com a espiritualidade do Islão a misturar-se com a crónica dos Taliban. Como é que eu vou ordenar tudo isto, numa progressão lenta de um assunto para outro, como um jogo de dominó? Uma prateleira começa em Aquilino e acaba em Pedro Paixão. Outra vai da guerra na Bósnia à história do Império Otomano - tem ou não tem lógica? Aqui é capaz de ter. Mas há outras lógicas que são muito minhas e que nem me dou ao trabalho de entender, muito menos explicar.
Como vou resolver as intersecções de temas, as faltas de espaço para um assunto aqui e o espaço que sobra para outro, ali? Vou preencher vazios junto de Aristóteles com os Peanuts e Milo Manara?

Às 3 da manhã apaguei a luz e fui dormir, exausto. Sonhei que metia tudo o que era de meu numa mochila e partia para a Patagónia. Acordei a pensar onde ia arrumar Bruce Chatwin: na literatura de viagens ou na literatura estrangeira em geral?
A vida é tão difícil...

Sound Trash de Efeméride

Há um ano (feito na noite/madrugada passada) os emigrantes - representados pelo André Belo, pelo Vasco M. Barreto e pelo Ivan Nunes - foram responsáveis por uma troca mailística alucinante entre vários bloguistas nacionais carregados de adrenalina. Relembro e presto homenagem a essa figura tão portuguesa com o tema musical que se impõe.

Irracionalidades


Tigres à solta ao pé de casa dos pais criam-nos, mesmo que só momentaneamente (até acordarmos de vez e pensarmos "Não seja parva, criatura"), algumas angústias.
View blog authority Who links to me?